Entrevistado: Afonso (A)
Entrevistadora: Tania Pereira ( TP)
As drogas tem cada vez mais levado jovens a estragar as suas vidas, e numa entrevista com Afonso( nome ficticio) conta como foi a sua experiencia nesse mundo das drogas.
TP: Quando
foi a primeira vez que experimentaste uma droga?
A: A primeira vez que
estive em contacto co uma droga foi quando tinha por ai uns 12 anos de idade
quando estava na companhia de uns amigos num social que sempre fazíamos entre
nós aos fins-de-semana que já consumiam bebida alcoólicas e drogas.
TP: Qual
foi a primeira droga que consumiste e em que circunstâncias?
A: A primeira droga que consumi foi o álcool, como já
mencionei foi durante um social entre amigos, em que havia bastante bebidas
alcoólicas, cigarros e muita droga também. Quando vieram me oferecer a bebida,
de princípio recusei mas eles foram tão insistentes que acabei cedendo a
pressão a bebi. Depois desse primeiro copo veio outro e mais outro que acabei
ficando completamente embriagado pela primeira vez na minha vida.
TP: E
depois como é que acabaste envolvido com drogas mais pesadas?
A: No começo eu até me limitava com bebidas alcoólicas, foi
assim até quando completei os meus 15 ano de idade, e como eu era um miúdo
muito tímido, depois de alguns copos eu já me transformava em outra pessoa
completamente diferente, um rapaz cheio de atitude e que não tinha medo de
nada, era capaz de fazer qualquer coisa, desde que me pedissem, gostava de ser
o centro das atenções, gostava do facto de toda gente olhar para mim e dizer “
eu não aguento contigo”.
TP: Foi
só por essa fama que te envolveste com as drogas ou tinha algum outro motivo?
A: Pode-se dizer que este foi uns dos principais motivos,
para perder a minha timidez, mas também porque tinha alguns problemas em casa e
então como forma de esquecer estes problemas acabava bebendo para como se diz
por ai “afogar as mágoas”. Mas com o andar dos tempos senti que o álcool já não
era suficientemente forte para mim, que já não me fazia efeito algum e passei a
fumar cigarros para ver se teria o efeito desejado.
TP: Conseguiste
atingir o efeito desejado com o cigarro?
A: Sim consegui, mas apenas quando comecei a fumar cigarros
considerados de calibre mais pesado, como suruma, e aqueles vidros em que
tínhamos de fumar numa garrafa de vidro uma água que ficava parece está
fervendo, porque simplesmente aqueles cigarros normais, como palmar ou outros
não me faziam efeito nenhum e mesmo assim os que eu costumava consumir era
também enquanto eu consumia álcool.
TP: E
os teus pais sabiam que tu consumias estas drogas?
A: Minha mãe sabia que eu bebia e pensava que eu apenas
fumava esses cigarros da praça, não fazia nem ideia que eu já tinha entrado nos
cigarros mais pesados, mas meus irmãos sabiam perfeitamente que eu já estava
envolvido com cigarros mais pesados.
TP: E
quando começaste a consumir as drogas como cocaína, heroína, entre outras?
A: Estas drogas comecei no dia do meu 18º aniversário, meus
amigos me deram e disseram que seria como um rito de iniciação para confirmar
que realmente já sou um homem, e eu aceitei convicto que seria apenas uma vez e
que não entraria no vício, mas foi em vão, porque depois de ter consumido a sensação
foi tão boa que acabei gostando e quis consumir sempre mais e a toda hora,
quando dei por mim já estava completamente viciado e já não havia como voltar
atrás.
TP: E
como fazias para alimentar esse vício?
A: No começo era com a minha mesada porque eu consumia
quantidades pequenas, mas depois comecei a consumir cada vez mais e pedia
dinheiro a toda hora a minha mãe. Ela começou a desconfiar o facto de eu querer
sempre dinheiro ate que acabou descobrindo que eu consumia drogas e cortou a
minha mesada na esperança de me travar.
TP: E
essa atitude da tua mãe surtiu algum efeito?
A: Infelizmente para ela não, porque no desespero acabava
roubando a minha própria casa para ir vender e ter dinheiro para matar o vício.
Até já fui preso por que desmontei uma mota para poder vender as peças para ter
dinheiro para comprar mais drogas. E depois deste incidente minha mãe resolveu
mandar-me para África do Sul para uma clinica para poder me curar, mas em vão
porque mesmo la eu tinha acesso a drogas e ate mais do que quando estava em
casa.
TP: Já
alguma tiveste uma overdose?
A: Sim, já tive. Numa noite em que consumi álcool, suruma,
tomei ecstasy e também cocaína, mas a junção não correu muito bem e passei
muito mal, nesse dia jurei nunca mais consumir droga na minha vida, tanto que
deitei toda a droga que tinha em minha posse, senti que aqueles eram os últimos
momentos da minha vida, foi uma sensação muito horrível.
TP: E
foi depois deste incidente que abandonaste as drogas?
A: Infelizmente não, porque no dia seguinte quando me senti
melhor voltei a carga e continuei consumindo ainda mais drogas.
TP: E
costumavas a aliciar outras pessoas para se envolverem com drogas também?
A: Por incrível que pareça, nunca aliciei outras pessoas a
consumirem as drogas por menos pesada que fossem, sempre disse, “façam o que eu
digo e nunca o que faço”, porque eu já sabia como as drogas arruinavam a vida
das pessoas e o que eram capazes de fazer para poderem ter nem que fosse um
bocado apenas, então nunca deixei ninguém consumir, pelo menos não em frente de
mim.
TP: Com
que idade abandonaste o vício?
A: Foi no ano passado, quando tinha 21 anos de idade.
TP: E como
te livraste do vício e quais foram as maiores dificuldades durante esse
processo de largar a vida das drogas?
A: Não foi nada fácil, mas resolvi que aquela não era a vida
que eu queria para mim, e tinha que fazer de tudo para mudar a situação que eu
estava vivendo, e que se eu continuasse podia acabar por me matar. A maior
dificuldade que tive foi quando saia e ia para lugares onde só se consumia
estas coisas e tinha que ser forte o suficiente pra não pôr tudo a perder a
cair no vício de novo.
TP: Qual
é o conselho que deixas para as pessoas que ainda estão nesse mundo das drogas
ou que pensam em experimentar?
A: Apenas digo para tentar ser forte o suficiente e lutar
muito para sair dessa vida, e para aqueles que pensam em experimentar apenas
por diversão, eu digo por experiência própria que isso é um mito, pois uma vez
que experimentes já é muito difícil voltar atrás e vais acabar por querer
sempre mais.
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